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As 4 escolas cervejeiras e suas influências

4 escolas cervejeiras da história

Muito se fala sobre as escolas cervejeiras, mas na verdade pouco se sabe o que realmente é uma e o que elas significam para a história desta bebida tão apreciada no mundo todo: a cerveja. 

Uma escola cervejeira nada mais é do que um conjunto de estilos e técnicas de produção que considera também geografia, tecnologias e matérias-primas disponíveis na região. 

Assim, as escolas cervejeiras celebram fortemente a cultura e a história do seu local de origem, e as cervejas produzidas seguindo estas premissas regionais têm características muito próprias.

Há quatro escolas cervejeiras no mundo:

  • alemã

  • franco-belga

  • britânica

  • americana

Você conhece alguma delas? Vem com a gente descobrir mais sobre cada uma! 

 

#01. Escola cervejeira alemã 

A primeira das escolas cervejeiras que vamos abordar neste artigo é a alemã! Ela é a mais tradicional e sua maior influência sem dúvidas é a Lei de Pureza que foi assinada em 1516. A lei dizia o seguinte:

Como a cerveja deve ser elaborada e vendida neste país, no verão e no inverno: Decretamos, firmamos e estabelecemos, baseados no Conselho Regional, que daqui em diante, no principado da Baviera, tanto nos campos como nas cidades e feiras, de São Miguel até São Jorge, uma caneca de 1 litro ou uma cabeça de cerveja sejam vendidos por não mais que 1 Pfennig da moeda de Munique, e de São Jorge até São Miguel a caneca de 1 litro por não mais que 2 Pfennig da mesma moeda, e a cabeça por não mais que 3 Heller sob as penas da lei. Se alguém fabricar ou tiver cerveja diferente da Märzen, não pode de forma alguma vendê-la por preço superior a 1 Pfennig por caneca de 1 litro. Em especial, desejamos que daqui em diante, em todas as nossas cidades, nas feiras, no campo, nenhuma cerveja contenha outra coisa além de cevada, lúpulo e água. Quem, conhecendo esta ordem, a transgredir e não respeitar, terá seu barril de cerveja confiscado pela autoridade judicial competente, por castigo e sem apelo, tantas vezes quantas acontecer. No entanto, se um taberneiro comprar de um fabricante um, dois ou três baldes de cerveja para servir ao povo comum, a ele somente, e a mais ninguém, será permitido e não proibido vender e servir a caneca de 1 litro ou a cabeça de cerveja por 1 Heller a mais que o estabelecido anteriormente.”

Guilherme IV, Duque da Baviera, 23 de abril de 1516

Dessa forma, a lei visava regulamentar principalmente o uso de ingredientes que não fosse a cevada, pois vivia-se uma crise alimentar e a popularização do consumo do trigo para a fabricação da cerveja estava encarecendo o pão. 

Além da cevada, a lei permitia apenas mais dois ingredientes no processo de fabricação: água e lúpulo. A levedura não era mencionada no documento, não se tinha o real conhecimento dela no processo, ela era uma “dádiva dos céus”. No entanto, mais tarde, a levedura também foi incluída como ingrediente permitido. 

A escola alemã é dominada por lagers, que são cervejas de baixa fermentação, e costumam ter um caráter maltado, serem mais amargas e conterem lúpulos florais. Com exceção das cervejas de trigo, as leveduras são mais neutras. 

Algumas cervejas são características das regiões onde são produzidas, como a Roggenbier e a Hefeweizen, cervejas típicas da região da Bavária, que são produzidas com maltes regionais. 

 

#02. Escola cervejeira Belga

Na escola franco-belga, que não teve nenhuma barreira criada pela lei de pureza, os cervejeiros aproveitaram para acrescentar em suas receitas ingredientes como ervas, coentro e alcaçuz, além de especiarias como gengibre, ou mesmo frutas, como cereja e framboesa. 

Um fato interessante é que esses adjuntos já eram usados na Idade Média! As cervejas dessa escola são cervejas aromáticas e muito alcoólicas que maturam em barris. 

A tradição milenar das Abadias e Mosteiros Trapistas é outra grande referência da cultura cervejeira belga. Referências de uma época que incentivam e valorizam a tradição cervejeira, seis dos sete Mosteiros Trapistas existentes ainda estão na Bélgica, e existem no país mais de 20 abadias produtoras. 

Os belgas são amantes da culinária e costumam utilizar a cerveja em suas receitas, além de harmonizarem a bebida com os mais diversos pratos.

Pessoas experimentando e brindando a cerveja

A cultura cervejeira permanece forte e influenciando cervejarias do mundo inteiro. As cervejas belgas são produzidas em regiões rurais e vendidas em grandes centros e a maioria delas é vendida em garrafas. 

Apesar da produção de cervejas do país ser dominada por uma gigante da indústria, são as microcervejarias responsáveis pela diversidade de estilos vendidos no país. 

 

#03. Escola cervejeira britânica

A terceira das escolas cervejeiras é a britânica! É a das cervejas escuras como porters e stouts, das lupuladas como IPA e pale ale. São fabricadas cervejas de alta fermentação (as ale). 

Antes do lúpulo chegar na Bretanha no século XIV, Ale ou Bitter era o nome dado às bebidas aromatizadas com frutas e ervas.

O conservadorismo da escola britânica influenciou a bebida em vários momentos. Na Idade Média, a Inglaterra não aceitava em hipótese alguma utilização do lúpulo na fabricação da cerveja. 

Em outro momento da história, foram resistentes ao sucesso da Pilsen. A pasteurização foi outro avanço que sofreu resistência, os ingleses, até hoje, gostam de consumir a cerveja fresca, direto nos barris. 

Todo esse conservadorismo teve seu lado bom, pois manteve viva as tradições, tão importantes para a preservação da cultura cervejeira da região. 

A Inglaterra se destaca até hoje pela cultura de pubs, encontrados geralmente em áreas residenciais, são espaços para boas conversas e jogos como dominós e dardos. 

A importância dessa escola para o universo cervejeiro sem dúvida alguma é o surgimento de cervejas como a English Pale Ale, English Brown Ale, Porter e claro, a IPA. 

 

#04. Escola cervejeira americana

A escola americana é a quarta das escolas cervejeiras e a mais jovem também! Viveu fases que acompanharam vários momentos da história que oscilaram entre liberalismo e conservadorismo extremo. A cerveja chegou aos EUA trazida pelos ingleses em 1620. 

Mais tarde, outros imigrantes como os alemães, irlandeses e escoceses acabaram por enriquecer ainda mais a cultura cervejeira da região e, com o passar dos anos, a bebida tornou- se a preferida dos norte-americanos. 

Com a Primeira Guerra Mundial e a Lei Seca, seguido pela grande depressão, a oferta de malte e lúpulo diminuiu e os americanos passaram muitos anos sem poder degustar a bebida. O que acabou empobrecendo, de certa forma, o perfil sensorial dos americanos e o tornou pouco exigente. 

Algumas indústrias cervejeiras passaram a produzir cerveja com os ingredientes disponíveis no mercado, o que fez com que o americano desenvolvesse um perfil sensorial próprio, bem diferente da tradição europeia trazida de início. 

Desde o final do século XX, porém, existe um movimento de resgate da cultura, iniciado e liderado pelas microcervejarias e por produtores caseiros. 

Hoje o paladar americano já está mais exigente, a cultura vem evoluindo com o passar dos anos e já virou referência em novidades, um exemplo disso é a versão americana da IPA, a American Ipa. 

Os produtores usam insumos locais na fabricação, visto que os EUA agora ocupam a segunda posição como produtor de lúpulo (apenas atrás da Alemanha). Seus lúpulos são cítricos, frutados e florais. 

Os cervejeiros americanos gostam do “mais”: mais lúpulo, mais álcool, mais malte. Eles gostam de combinar estilos e adicionar ingredientes inusitados às suas receitas.

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